Servidores da saúde a mando do sindicato, fazem velório na Câmara de vereadores, durante homenagem às mulheres mais idosas. Se a função de um sindicato é sempre dar o tom politizado às ações coletivas de uma categoria, o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ilhéus (Sinsepi) foi responsável nesta terça-feira (16)
por uma ação politicamente incorreta, em um ato, digamos, no mínimo, equivocado.Cerca de 300 idosas aguardavam uma homenagem que seria prestada pelo Poder Legislativo às mulheres mais velhas do município, quando foram surpreendidas, por volta das 15h30min, com a entrada de um velório-surpresa, entoando cânticos fúnebres no plenário da Câmara de Vereadores.
Com direito a caixão e coroa de flores, ao invés de homens e mulheres de preto, a vestimenta da maioria dos que acompanhavam o "defunto" era branca. No caixão, não era nenhum morto que buscava a paz naquele lugar. Era a manifestação dos servidores da saúde do município que transferiram o velório que havia acontecido durante toda a manhã no Palácio Paranaguá para as dependências da Câmara.
Eles queriam chamar a atenção para o que consideram "a morte da saúde pública", manifestação justa para quem está sem receber a totalidade do seu salário do mês passado e de há muito desrespeitado pelo governo. Mas o palco escolhido não era bem o mais adequado para a data do manifesto.
No plenário da Câmara, o dia era de homenagem aos idosos. Estavam lá mulheres de 70 a 97 anos e algumas se assustaram com o velório-relâmpago. Outras manifestaram seu desagrado com a atitude dos servidores. Meio sem graça, o presidente do Sinsepi, Luiz Machado, tentava justificar o erro, tirando de si toda a responsabilidade pelo inconveniente: "os vereadores não avisam mais quais são os temas da sessão. Termina dando nisso".
De imediato, Machado mandou retirar o caixão com o "corpo" da saúde, que havia sido posicionado no balcão que separa o público dos vereadores. A cena foi constrangedora e alguns idosos, aparentando nervosismo, queriam se retirar do plenário. Equívoco também da portaria da Câmara que não teve a sensibilidade de informar aos servidores o que acontecia mais perto do "céu", no segundo andar do Palácio Teodolino Ferreira, sede do Legislativo.
Urbis noticias

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